De algum tempo para cá, o Brasil vem sendo palco de
uma série de debates acerca da união homoafetiva – após uma entrevista do Pr.
Silas Malafaia no “De Frente com Gabi”, a discussão se tornou ainda mais
acirrada e agora, para piorar, vem a discutida e mal informada “Lei da Cura gay”
(coloquei entre aspas porque de fato o sentido é errôneo).
Em
conversa com uma amiga pelo Facebook, a mesma me perguntou
o que eu achava dessa discussão toda. Resolvi colocar abaixo o pequeno texto
que a enviei. Espero que seja uma leitura interessante:
Acho que
neste atual momento, temos uma série de problemas que merecem reflexão: um
deles é o desejo de uma minoria em querer que os seus direitos sejam colocados
acima dos outros, um outro problema é a diferença de nossas atitudes quando
contrastadas com a de Cristo. Vou dar um exemplo: tenho um amigo que é
homossexual e com quem tenho amizade há anos. Esse cara me conheceu na época em
que eu discutia com minhas professoras na escola administrada por freiras com perguntas
céticas de um adolescente revoltado com um Deus cristão. O cara morou na mesma
cidade que eu – e me conhecia porque sempre me via debatendo e fazendo
perguntas capciosas para alguns colegas cristãos.
Quando
cheguei a João Pessoa o reencontrei na cidade, e ele me lembrou dos meus debates, então
perguntou se eu ainda fazia aquilo. Quando disse a ele que era cristão, ele se
surpreendeu, isso deu uma abertura para sermos amigos, já que ele era meio
revoltado com o Cristianismo e os meus pensamentos eram diferentes dos que ele
tinha estereotipado em relação à minha religião. Na época ele não era um
homossexual assumido, apesar de eu saber que ele era.
Certa
vez, quando eu falava do Evangelho para um colega universitário, ele disse que
queria falar comigo, então depois saí e ele perguntou: “Saulo, você crê na cura
gay”? E eu disse: “não, não creio”. Ele ficou surpreso. Eu disse: “Fulano, cura
só recebe quem é doente - ser gay não é doença, é pecado, assim como várias
outras práticas, muitas das quais eu tenho e procuro lutar contra”. Ele ficou
calado, então continuei falando com muito amor, até pela amizade que tínhamos. Na
minha fala fui explicando que eu acreditava que a homossexualidade era um
pecado como outro qualquer – assim como a desobediência aos pais, à sexualidade
fora do casamento, à traição no casamento, à pornografia, enfim... Apesar de
muitas vezes ser tentado a pecar, eu posso preferir não fazê-lo – e que eu cria
que alguém poderia deixar de cometer o pecado da homossexualidade, ainda que fosse
algo que seria uma grande luta, pois seria abrir mão de
seus desejos sexuais, o que é uma luta!
Meu amigo
continuou calado e depois de um tempo ele perguntou: “Você crê que alguém vai
pra o inferno por ser homossexual?” e eu respondi que não. Ele ficou meio sem
entender e disse: “como assim?” e eu disse: “eu creio que as pessoas vão para o
inferno por causa do pecado, independente de qual seja. Eu não suportava a ideia
de um Deus e iria para o inferno; eu poderia ser mentiroso e eu iria para o
inferno; eu poderia ser extremamente religioso e se não mudasse minha vida eu
iria para o inferno. O que muda essa questão é o fato de eu reconhecer quem
sou, reconhecer que sou pecador, que só busco o pecado e que sozinho eu não
consigo a salvação. O que aconteceu comigo foi que eu reconheci a porcaria que
eu era e que sou e entendi que se dependesse só de
mim eu nunca alegraria o coração de Deus – eu entendi que isso só aconteceria
com Jesus, então eu entendi que precisava me jogar nos braços dele.”
Eu falei
isso e outras coisas que no fim levaram ele a dizer que ele que até então tinha outra visão
sobre o Cristianismo, uma bem mais negativa. Então um irmão evangélico me pergunta: "Aquele cara se converteu?" Não –
aquele cara até concluir o seu curso ainda andou comigo inúmeras vezes, devido à
nossa profunda amizade construída aqui, antes dele voltar para sua cidade natal. Ele hoje é
assumido, mora com outro cara e trabalha em outro Estado. Quando nos falamos
digo para ele sobre a saudade de nossa conversas e do quanto o amo e de que
mais que eu, Cristo o ama. Nessa semana ele me pediu oração devido a alguns
problemas com sua família – finalizou dizendo que me amava muito e que orasse
por ele.
Bom... Sabe porque contei essa história toda? Porque, independente da
conversão desse cara (o que, como disse, não ocorreu), eu utilizei algo que não
utilizamos muito nessas abordagens atuais de confrontação ao pecado: amor!
Muitos
amigos da minha época de Mestrado odiavam evangélicos até me conhecerem – porque eu sou melhor? Não, porque eu amei o meu colega ateu, amei o meu
colega hindu, amei meus colegas de diversas religiões e ATÉ o meu colega
evangélico – e tive muito mais oportunidade para falar do amor de Cristo quando
eles viram o amor deste Cristo em mim - e entenderam o que de fato é esse amor. Ora, isso não pode acontecer também com
você? Claro – é só estar disposto a, mesmo sendo pecador, buscar fazer como
Cristo e amar – afinal, amar é uma decisão!
Agora eu pergunto o seguinte: Será
que Silas Malafaia com sua retórica é muito usado para atingir o coração de um
homossexual? Não estou julgando, mas pelos vídeos que tenho assistido dele, creio que dificilmente, pois o seu
discurso tem uma série de argumentos teológicos, mas falta aquele ingrediente chamado amor... Ou seja: ele
convence todos os evangélicos que o escutam, MENOS quem mais deveria lhe escutar: os
homossexuais!
Há algumas semanas eu entrei em um fórum na internet sobre sexualidade e inúmeras pessoas “crentes” estavam detonando os
homossexuais, então muitos homossexuais detonaram os crentes e estava aqueeeela
guerra “santa”, então eu escrevi duas linhas sobre o amor de Cristo e no fim
disse que se alguém precisasse ser ouvido, “lido”, alguém estivesse precisando de
ajuda por algum problema emocional, me enviasse um e-mail, nem precisava ser
com o nome verdadeiro. Dois dias depois um cara de outro Estado me enviou um
e-mail, dizendo que lutava contra a homossexualidade e perguntando o que eu
achava disso.
Escrevi
um longo e-mail para ele e ele respondeu – depois de outros dois e-mails ele me
enviou seu nome e e-mails verdadeiros – na mesma semana conversamos “olho no
olho” via Skype. Há aproximadamente 08 meses eu acompanho esse cara pela
internet, ele tem compartilhado comigo suas lutas e como ele tem medo de que
sua igreja descubra seu pecado, pois há algumas semanas um foi expulso por
confessar ser homossexual em um grupo pequeno e pedir ajuda.
Sabe, na
verdade acho que chegamos onde chegamos mais por culpa do Cristianismo
institucionalizado do que pelo próprio liberalismo hedonista dessa galera,
explico: Os “cristãos religiosos” (para fazer a diferença dos “cristãos
discípulos”) esqueceram que são pecadores que também lutam contra o pecado,
então se colocaram como superiores – e não fizeram como Cristo que amou a
mulher diante do poço, deixou de lado o fato de ser judeu e falou com a
samaritana, deixou de lado o fato de ser homem e falou com a mulher (na época
isso contava muito), deixou de lado o fato de ser o Cristo e falou com uma
pecadora adúltera – a amou – seu amor a contagiou – e ela deixou de lado o
cântaro e foi anunciar quem Ele era. Essa falta de amor do Cristianismo
provocou ódio e uma necessidade de calar sua voz – então hoje os cristãos
gritam contra eles de forma errada e como resposta eles querem impor uma
ditadura.
Muitos
cristãos que conheço são discípulos de Cristo e não meros religiosos – e muitas
vezes, devido à postura de muitos líderes, desviam o foco do mandado de Cristo.
Você é reflexo do amor deste Senhor amoroso e, independente das posturas dos
que estão próximos de você, você foi chamado para fazer a diferença, amando o
pecador, não obstante o seu pecado – eu amo os meus amigos pecadores pelo fato
de, ao olhar para mim mesmo, me ver coberto de pecados e necessitado da
misericórdia de Deus. Nós devemos amar assim como Cristo nos ama, não obstante
a nossa luta contínua contra os nossos pecados.
No
fim das contas, eu digo que a culpa maior está em nós pelo fato de dizermos que
conhecemos a Cristo. Nós é quem somos cobrados, nós é quem anunciamos a
Redenção e o amor de Cristo. Não concordo com as posturas de boa parte dos homossexuais – sou
totalmente contra a forma como eles querem exigir seus direitos (entrar em uma
igreja e se beijar porque o pregador da noite é Marcos Feliciano não é uma boa
alternativa quando se fala de respeito) – tampouco concordo com as posturas de
tantos pastores que muito pregam sobre homossexualidade, mas pouco sobre maledicência, amor ao dinheiro, rejeição aos prisioneiros, aos órfãos e às viúvas. Amo o Evangelho que abomina a homossexualidade,
mas que abraça o homossexual e o ama – que é o mesmo que abomina o adultério,
mas ama o adúltero, abomina a pornografia e abraça quem a consome e o ama – foi o
mesmo que abominava meus complexos de inferioridade, minha depressão, minha
descrença, minha arrogância, mas que me amou com todas as mazelas que eu tinha
e me fez entender que Ele me quer da forma como estou, mas me quer lutando para
mudar, ainda que essa seja a maior luta de minha vida.Deus nos abençoe!

4 comentários:
Concordo com você! Devemos ser a expressão do Amor de Cristo. O mundo precisa ser atraído por esse Amor. Se conseguirmos fazer os cristãos perceberem e entenderem isso, talvez só o nosso viver seja suficiente para anunciar Cristo. Já ouvi algumas pessoas comentarem que, muitas vezes, somos a única" bíblia" que alguém tem a oportunidade de conhecer.
Parabéns pelo texto. Que a graça de Deus superabunde na sua vida!
Muito lindo o que você disse! Às vezes, certos cristãos querem convencer a mente, mas esquecem do coração alheio! Parabéns!!
Saulo, como sempre um texto muito lúcido. QUando puder visitar meu blog, dá uma lida no texto "Cristãos, homossexuais e seus extremos". Gostei muito do seu texto. Paz!
Parabéns pela sensatez diante de um assunto tão polêmico!
#maisamorporfavor É isto que o mundo precisa com urgência!!!
É lamentável ver como o ser humano está cada vez mais intolerante com as diferenças. Lembremos que a intolerância apenas colabora com a violência e "desconstrói" qualquer indício de raciocínio! Me entristece ver tantos corações "cristãos" sem amor ao próximo :(
O fato de não concordar com algumas atitudes do meu irmão, não justifica "humilhá-lo" ou "forçá-lo" a agir diferente. Pelo contrário, precisarei amá-lo ainda mais para conduzir sabiamente as nossas diferenças. Buscar entendê-lo, com respeito, para assim também ser compreendida.
"...amar e ser amado...compreender e ser compreendido..."
Abraços e fiquem todos na Paz!
PS.: Continue escrevendo!!! Amei seu blog :)
Postar um comentário